Relatório do Pnuma admite que o mundo vai ultrapassar a meta de 1,5°C e propõe voltar abaixo desse limite. Entenda o que isso muda.
A ONU admitiu que o mundo vai ultrapassar a meta de 1,5°C de aquecimento global. Um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) é descrito como a primeira vez que uma agência da ONU reconhece isso, e propõe uma nova estratégia: deixar o limite ser superado por um tempo e depois voltar abaixo dele, de preferência até o fim do século.
O que diz o relatório
Segundo o documento, a temperatura global deve passar de 1,5°C nos próximos anos, seguir subindo, atingir um pico e só depois cair. Com as políticas atuais dos governos, o planeta caminha para 2,6°C acima dos níveis pré-industriais até 2100. A diretora do Pnuma, Inger Andersen, afirmou que a meta de 1,5°C continua sendo o objetivo, mas que agora será preciso chegar a ela depois de passar do limite.
O que significa ultrapassar e voltar
Os cientistas chamam esse período de ultrapassagem: o tempo em que a temperatura fica acima do limite antes de voltar. Para a volta ser possível, o pico não deve passar de 1,8°C. Um pesquisador ouvido na reportagem avalia que o mundo pode ficar nesse período por muitas décadas e que isso não será um mundo seguro, mas será mais seguro do que permanecer acima do limite.
O que seria preciso fazer
- Eletrificar a energia, o transporte e a indústria, com dois terços da demanda mundial vinda de eletricidade limpa até 2050.
- Acabar com os combustíveis fósseis: as economias avançadas até 2050 e o mundo todo até 2070.
- Cortar as emissões de metano em 20% até 2030, em relação a 2020.
- Ampliar a remoção de carbono da atmosfera para acelerar a queda das temperaturas depois do pico.
Riscos apontados
O relatório alerta para os chamados pontos de não retorno, mudanças irreversíveis que podem acontecer em cadeia. Estimativas de perdas econômicas ligadas ao calor indicam um PIB global cerca de 11% menor até 2050 e renda média até 23% menor até 2100 nos cenários mais quentes.



