Programa infantil, que antes era considerado livre para todas as idades, recebeu classificação de 12 anos. Órgão apontou violência, atos criminosos, drogas lícitas e estigma ou preconceito entre os motivos da mudança.
Uma decisão do Ministério da Justiça e Segurança Pública colocou os desenhos bíblicos exibidos pela Record no centro de uma discussão sobre classificação indicativa e conteúdo religioso na televisão. A atração Record Kids – Desenhos Bíblicos, que anteriormente era considerada livre para todos os públicos, passou a ser classificada como não recomendada para menores de 12 anos.
A mudança foi oficializada por meio da Portaria nº 2.272, de 28 de outubro de 2026, publicada no Diário Oficial da União. Com a nova classificação, o Ministério da Justiça recomenda que o programa seja exibido na televisão aberta somente a partir das 20h.
A decisão chama a atenção principalmente porque o conteúdo apresenta histórias e personagens bíblicos em formato de animação, sendo tradicionalmente voltado ao público infantil.
Por que os desenhos bíblicos receberam classificação de 12 anos?
Na justificativa apresentada pelo Ministério da Justiça, foram identificados quatro descritores de conteúdo: atos criminosos, drogas lícitas, violência e estigma ou preconceito.
Esses elementos foram utilizados para fundamentar a elevação da classificação indicativa, que deixou de ser livre e passou para a faixa etária de 12 anos.
O programa reúne animações baseadas em passagens bíblicas e faz parte da programação da Record desde 2003. Entre os conteúdos apresentados estão histórias do Antigo e do Novo Testamento, personagens bíblicos e acontecimentos relacionados à trajetória de Jesus Cristo.
A decisão, no entanto, gerou questionamentos sobre os critérios utilizados para avaliar produções que apresentam narrativas religiosas, especialmente aquelas destinadas às crianças.
Programa não poderá mais ser exibido pela manhã?
Com a classificação de 12 anos, a recomendação do Ministério da Justiça é que a atração seja transmitida a partir das 20h na televisão aberta.
Na prática, a orientação afeta o horário tradicional do programa, que integra a programação dominical da Record, com exibição pela manhã.
É importante destacar que a classificação indicativa não representa uma proibição absoluta de transmissão. O próprio Ministério da Justiça esclarece que esse sistema tem caráter informativo e orienta pais e responsáveis sobre a adequação dos conteúdos às diferentes faixas etárias.
Decisão abre debate sobre liberdade religiosa e classificação indicativa
A mudança também reacende o debate sobre os limites da classificação indicativa e a maneira como conteúdos religiosos são avaliados na televisão brasileira.
De um lado, o Ministério da Justiça utiliza critérios técnicos para identificar elementos considerados inadequados para determinadas idades. De outro, a decisão levanta questionamentos entre espectadores sobre a aplicação desses critérios a histórias bíblicas que fazem parte da tradição religiosa de milhões de brasileiros.
Até o momento, a alteração oficial se refere à classificação do programa, e não a uma proibição de exibição das animações.
O caso deve continuar gerando repercussão entre famílias, telespectadores e representantes de diferentes setores religiosos, especialmente pela mudança atingir uma atração tradicionalmente associada ao público infantil.



