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“No primeiro turno prestou, no segundo não”: Alcolumbre ironiza aliados de Flávio Bolsonaro sobre as urnas

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), fez um discurso no plenário sobre a contestação ao resultado da eleição. Ele afirmou que a mesma urna eletrônica elegeu a bancada do PL e foi questionada depois da derrota de Flávio Bolsonaro.

O que Alcolumbre disse

Na sessão de quarta-feira (4), Alcolumbre afirmou que a urna eletrônica “prestou” no primeiro turno, quando serviu para comemorar a vitória do adversário de Lula. No entanto, de acordo com ele, deixou de prestar quando o segundo turno começou. Ou seja, o resultado só teria valido para a primeira etapa.

Além disso, o senador lembrou que o PL elegeu as maiores bancadas da Câmara e do Senado no primeiro turno. Ele também disse lamentar que parte dos eleitos tenha vencido com discursos de ofensa e com agendas de ataque ao Judiciário, ao Executivo ou a ele próprio. Vale lembrar que Alcolumbre é criticado por bolsonaristas porque não pautou pedidos de impeachment de ministros do STF.

O contexto: a derrota de Flávio e a carta

Primeiro, é importante recordar o cenário. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminou à frente de Lula. Porém, o petista virou o jogo no segundo turno e foi reeleito.

Na noite da derrota, Flávio disse que não aceitaria o resultado e que pediria a anulação da eleição. Depois, já nos Estados Unidos, ele divulgou uma carta em 28 de outubro. Nela, chegou a se apresentar como “verdadeiro presidente eleito” e, em seguida, passou a se chamar de líder do Brasil.

Além disso, o texto manteve as acusações de fraude sem apresentar provas, segundo a cobertura da imprensa. Por outro lado, a Justiça Eleitoral afirma que os boletins de urna e o registro digital do voto estão disponíveis ao público. Portanto, qualquer pessoa pode consultar esses documentos.

Como reagiram os aliados de Flávio

A carta dividiu o campo da direita. Primeiro, o próprio PL reconheceu a vitória de Lula. Além disso, o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, disse que não gostou do documento.

Da mesma forma, Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes, que apoiaram Flávio na campanha, defenderam o respeito ao resultado. União Brasil, MDB e PSDB também reafirmaram confiança no processo eleitoral.

Já Rogério Marinho (PL-RN) defendeu a liderança política de Flávio, mas fez ressalvas ao conteúdo da carta. Ele explicou que o trecho de “presidente eleito” foi um problema na confecção do texto.

Enquanto isso, do outro lado, a bancada governista assinou uma nota conjunta em defesa do resultado das eleições.

O caso da votação feita do exterior

Ainda na sessão de quarta, Alcolumbre disse que vai analisar uma questão de ordem do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP). Isso porque Flávio registrou presença e voto na sessão de terça (3), mesmo estando nos Estados Unidos.

Na questão de ordem, Randolfe pergunta se Flávio comunicou oficialmente a viagem ao exterior, como exige o regimento. Além disso, ele pede a anulação do voto do senador na PEC da Segurança Pública. Por enquanto, Alcolumbre não deu resposta definitiva e afirmou que vai consultar os assessores da Casa.

O que vem agora

Em seguida, o foco se volta para a disputa pelo comando do Senado. Nesta quarta, o PL lançou o nome de Rogério Marinho para concorrer à presidência da Casa. Por isso, a fala de Alcolumbre ganha peso político, já que o partido tem agora a maior bancada.

Por que isso importa

Em resumo, o discurso mistura dois temas: a confiança nas urnas e a briga pelo comando do Senado. Assim, os próximos passos serão decisivos. Primeiro, Alcolumbre precisa responder à questão de ordem sobre o voto de Flávio. Depois, a oposição terá de se reorganizar para a eleição da presidência do Senado.